Netflix deve ultrapassar o YouTube em receita de vídeo em 2025
LONDRES, 28 de fevereiro de 2025 – Pela primeira vez, a Netflix deverá superar o YouTube em receita total de vídeo em 2025, de acordo com uma pesquisa exclusiva da Omdia apresentada no MIP TV London 2025.
Em 2024, o YouTube liderou o mercado com US$ 42,5 bilhões de receita, enquanto a Netflix gerou US$ 39,2 bilhões. No entanto, as projeções para 2025 indicam que a Netflix tomará a dianteira, atingindo US$ 46,2 bilhões, impulsionada por US$ 43,2 bilhões de assinaturas e US$ 3,2 bilhões em publicidade. Enquanto isso, o YouTube deverá gerar US$ 45,6 bilhões, com US$ 36 bilhões provenientes de publicidade e US$ 9,6 bilhões do YouTube Premium.
Diferentes estratégias de receita
Netflix e YouTube adotam abordagens distintas para gerar receita:
- A Netflix deverá alcançar mais de 340 milhões de assinantes pagantes em 2025, com mais de 600 milhões de usuários usufruindo de seu conteúdo.
- O YouTube continua a ser a maior plataforma em escala, atingindo mais de 2 biliões de usuários globalmente, aproveitando a sua ampla audiência por meio de publicidade e assinaturas premium.
À medida que o cenário do streaming evolui, o crescente modelo de anúncios da Netflix e sua base de assinantes podem reestruturar a dinâmica competitiva da receita de vídeo digital.
Convergência entre plataformas
“Em mercados como os EUA e o Reino Unido, há uma sobreposição significativa entre as audiências”, disse Maria Rua Aguete, diretora sénior de pesquisa da Omdia. “Nos EUA, 57% dos usuários do YouTube também são assinantes da Netflix, enquanto no Reino Unido esse número sobe para 67%. Essa dinâmica apresenta oportunidades para ambas as plataformas.”
Embora frequentemente vistas como concorrentes, YouTube e Netflix estão cada vez mais a colaborar do que a competir. “Vejo mais colaboração do que concorrência entre YouTube, Netflix e outros players da indústria”, afirmou Rua Aguete. “Os serviços de streaming, emissoras e plataformas estão a trabalhar juntos por meio de parcerias de marketing, distribuição de conteúdo e acordos publicitários.”
Um exemplo dessas parcerias aconteceu quando a Netflix usou YouTubers para promover a série ‘Round 6’, aproveitando o marketing baseado em influenciadores para atrair novos assinantes. Enquanto isso, o YouTube fortalece sua posição como plataforma de conteúdo premium, superando os serviços de TV gratuita com anúncios (FAST – Free Ad-Supported TV).
O papel crescente do YouTube no entretenimento
“No final de 2024, o YouTube gerou sete vezes mais receita do que as plataformas FAST, US$ 42,5 bilhões contra US$ 6 bilhões”, explicou Rua Aguete. “Os grandes estúdios estão atentos a isso. A Warner Bros., por exemplo, lançou recentemente 37 filmes completos gratuitamente no YouTube, e esperamos ver mais parcerias desse tipo no futuro.”
Olhando para o futuro, o YouTube está a aproximar-se cada vez mais do formato televisivo tradicional.
“Os grandes players podem tirar proveito dessa tendência, assinando acordos vantajosos de partilha de anúncios ou até mesmo vendendo diretamente alguns patrocínios e espaços publicitários em vídeo”, observou Rua Aguete.
Também se destaca o crescimento do papel dos YouTubers na recuperação do cinema, com campanhas de marketing baseadas em influenciadores se tornando parte essencial das estratégias promocionais de filmes.
Outro grande movimento é o aumento do consumo de YouTube em Smart TVs.
“Os espectadores estão a assistir ao YouTube em Tv's mais do que nunca”, afirmou Rua Aguete. “Isso muda o jogo da publicidade, tornando o YouTube um competidor ainda mais forte no mercado de vídeo premium.”
🔗 Fonte: Omdia